sexta-feira, 23 de outubro de 2026
SAÚDE

Cuidados com a saúde durante passeios pelos rios de Manaus

Passeios pelos rios de Manaus exigem cuidados simples, mas importantes. Veja como se proteger de mosquitos, calor, água e alimentos contaminados, acidentes com animais e outros riscos à saúde.

Os cuidados com a saúde durante passeios pelos rios de Manaus começam antes do embarque. A combinação de calor, exposição prolongada ao sol, umidade, presença de mosquitos, consumo de alimentos fora de casa e distância de unidades de atendimento pode aumentar o risco de mal-estar e doenças.

Medidas simples ajudam a tornar o passeio mais seguro: levar água potável, usar protetor solar e repelente conforme as orientações do rótulo, escolher roupas adequadas, manter a vacinação em dia e informar ao responsável pela embarcação qualquer condição de saúde relevante. Também é importante saber reconhecer sinais que exigem atendimento médico, especialmente febre após a passagem por áreas próximas a rios, igarapés e mata.

As recomendações abaixo são baseadas em orientações do Ministério da Saúde, da Anvisa e da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus.

Planeje o passeio antes de sair

Quem tem diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, problemas respiratórios, alergias importantes ou faz uso contínuo de medicamentos deve organizar a viagem com antecedência. Os remédios precisam ser levados em quantidade suficiente para todo o período, preferencialmente nas embalagens originais e acompanhados da prescrição médica quando necessário.

Não é recomendado interromper ou alterar tratamentos por conta própria. Em caso de dúvida sobre exposição ao calor, uso de medicamentos ou permanência em áreas mais afastadas, o viajante deve buscar orientação de um profissional de saúde antes do passeio.

Também é prudente conferir a previsão do tempo, a duração do trajeto, o local de embarque e a disponibilidade de comunicação e atendimento na área visitada. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas precisam de atenção redobrada, principalmente em dias muito quentes.

Use colete e siga as orientações da embarcação

O colete salva-vidas deve estar disponível em quantidade compatível com o número de passageiros e ser utilizado conforme a orientação do responsável pela embarcação. O equipamento precisa estar ajustado ao corpo, sobretudo em crianças, que não devem permanecer sem supervisão perto da borda ou durante o banho de rio.

Antes da saída, observe as instruções sobre embarque, desembarque, circulação e procedimentos de emergência. Evite ficar em áreas proibidas, sentar-se em locais instáveis ou inclinar-se para fora da embarcação. O consumo de álcool pode prejudicar o equilíbrio, a percepção de risco e a capacidade de reagir a uma emergência.

Em atividades aquáticas, o cuidado deve ser maior em trechos com correnteza, pedras, galhos, bancos de areia ou pouca visibilidade. Só entre na água quando o responsável pelo passeio indicar que o local é adequado e seguro.

Proteja-se do sol e do calor

A exposição ao sol durante longos períodos pode causar queimaduras, desidratação e insolação. A proteção deve incluir protetor solar, chapéu ou boné, óculos escuros e roupas leves que cubram parte do corpo. O protetor deve ser aplicado conforme as instruções do fabricante e reaplicado quando indicado, especialmente após banho, suor intenso ou contato prolongado com a água.

Sempre que possível, organize os momentos de maior exposição para horários menos quentes e procure permanecer na sombra. A cobertura da embarcação, uma barraca ou uma área protegida não elimina a necessidade de reaplicar o protetor, porque a radiação solar também pode atingir a pele por reflexão.

Leve água potável em quantidade suficiente e beba regularmente, sem esperar o aparecimento da sede. Calor, suor, atividade física e consumo de bebidas alcoólicas favorecem a perda de líquidos. Para crianças e idosos, a oferta de líquidos deve ser acompanhada de perto.

Fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea, cãibras, confusão mental, desmaio ou alteração do nível de consciência são sinais de alerta. A pessoa deve ser retirada do sol, levada para um local fresco e ventilado e receber avaliação em um serviço de saúde, principalmente se os sintomas forem intensos ou não melhorarem rapidamente.

Evite picadas de mosquitos

Áreas próximas a rios, lagos, igarapés e mata podem apresentar mosquitos transmissores de doenças. Em Manaus e em outras áreas da Amazônia, a malária é uma preocupação relevante para quem frequenta regiões de transmissão.

As principais medidas de proteção são usar repelente nas áreas expostas da pele, respeitando a indicação do rótulo, vestir camisas de mangas compridas e calças e evitar permanecer em áreas de mata e margens de rios nos períodos de maior atividade dos mosquitos, especialmente do entardecer ao amanhecer. O uso de telas e mosquiteiros é recomendado quando houver pernoite em locais sem proteção adequada.

O repelente deve ser aplicado depois do protetor solar, quando os dois produtos forem necessários. É importante reaplicar o repelente conforme a orientação da embalagem e depois de contato intenso com água ou transpiração excessiva. Crianças pequenas devem usar produtos apropriados para a faixa etária, sempre com supervisão de um adulto.

A malária não é transmitida pela água, mas pela picada da fêmea infectada do mosquito do gênero Anopheles. Febre, calafrios, tremores, suor intenso, dor de cabeça, dores no corpo, cansaço e mal-estar podem ocorrer. Os sintomas podem surgir dias depois da exposição, por isso o histórico do passeio deve ser informado ao profissional de saúde.

Quem apresentar febre durante ou após uma visita a áreas de risco deve procurar atendimento o mais rápido possível e informar que esteve em regiões próximas a rios, igarapés, lagos ou mata. Não é recomendado tomar medicamentos por conta própria para tentar tratar uma possível malária.

Consuma somente água e alimentos seguros

A água do rio não deve ser consumida sem tratamento adequado. Para beber, preparar alimentos, escovar os dentes ou fazer gelo, dê preferência à água potável acondicionada em embalagem lacrada ou de fonte reconhecidamente segura.

Também é importante evitar gelo de procedência desconhecida. Em situações nas quais não houver acesso à água segura, o tratamento deve seguir orientação oficial. A Anvisa orienta, por exemplo, o uso de hipoclorito de sódio a 2,5% na proporção indicada para a água disponível e o respeito ao tempo necessário antes do consumo. O produto deve ser próprio para esse fim e utilizado de acordo com as instruções da embalagem ou da autoridade de saúde.

Lave as mãos antes de comer e depois de usar o banheiro, trocar fraldas, tocar em animais ou realizar atividades que possam deixar as mãos sujas. Quando não houver pia disponível, use solução antisséptica, mas faça a higienização com água e sabão assim que possível.

Prefira alimentos bem cozidos, fritos ou assados e observe se os produtos perecíveis estão mantidos em temperatura adequada. Evite preparações com ovos crus, leite não pasteurizado, frutos do mar crus e alimentos com aparência, cheiro ou embalagem alterados. Frutas e verduras devem estar íntegras e, quando possível, ser higienizadas com água segura.

Diarreia, vômitos, dor abdominal e febre podem estar relacionados ao consumo de água ou alimentos contaminados. A hidratação é importante, mas pessoas com sinais de desidratação, sangue nas fezes, febre alta, vômitos persistentes ou piora do estado geral devem procurar atendimento médico.

Tenha cuidado com animais e plantas

Durante paradas em comunidades, trilhas e áreas de mata, não toque em animais silvestres ou desconhecidos. Também evite manusear cobras, aranhas, escorpiões, lagartas e outros animais, mesmo que pareçam mortos.

Em caso de mordedura, arranhadura ou lambedura de mamíferos, lave imediatamente o local com água corrente e sabão e procure atendimento. A avaliação médica é necessária para verificar a necessidade de medidas contra raiva e outras infecções.

Se houver picada de animal peçonhento, não faça cortes, sucção, torniquete ou aplicação de substâncias caseiras. Mantenha a pessoa em repouso, evite que ela caminhe e procure o serviço de saúde o mais rápido possível. Se for seguro, uma fotografia do animal pode ajudar na identificação, mas não tente capturá-lo.

Calçados fechados são mais seguros para caminhar em áreas de terra, vegetação ou estruturas de madeira. Antes de vestir roupas, calçados ou coletes que tenham ficado no chão, verifique se não há animais escondidos.

Banho de rio exige atenção

O banho deve ocorrer apenas em áreas autorizadas ou indicadas por pessoas que conheçam o local. A aparência limpa da água não garante que ela esteja livre de microrganismos, resíduos ou outros riscos. Evite engolir água e não entre no rio com feridas abertas, especialmente quando não houver informação sobre a qualidade da água.

Não mergulhe em locais desconhecidos ou de pouca profundidade. Galhos, pedras, bancos de areia e mudanças repentinas no nível da água podem causar acidentes. Crianças devem permanecer acompanhadas por adultos que estejam atentos exclusivamente a elas, sem depender apenas de boias ou brinquedos infláveis.

Após o banho, seque bem a pele, troque roupas molhadas quando possível e observe o surgimento de irritações, coceira, feridas ou outros sintomas. Em caso de alteração persistente, procure uma unidade de saúde.

O que levar na bolsa

  • Água potável em recipiente adequado;
  • Protetor solar, repelente, chapéu ou boné e óculos escuros;
  • Roupas leves, camisa de mangas compridas e calçado fechado;
  • Medicamentos de uso contínuo e respectivas prescrições, quando necessário;
  • Documento de identificação, cartão do SUS e informações sobre alergias ou doenças preexistentes;
  • Álcool em gel, sabonete, lenços, curativos e outros itens básicos de higiene;
  • Saco para proteger medicamentos, documentos e aparelhos eletrônicos da água.

Quando procurar atendimento

O atendimento deve ser buscado imediatamente em casos de falta de ar, desmaio, confusão mental, convulsão, dor no peito, queimaduras extensas, reação alérgica importante, ferimentos profundos, sangramento intenso, mordedura ou picada de animal peçonhento.

Também é necessário procurar uma unidade de saúde diante de febre após visita a área de transmissão de malária, diarreia com sinais de desidratação, vômitos persistentes ou piora progressiva do estado geral. Ao ser atendido, informe o local visitado, a data do passeio, o contato com água ou mata, as picadas de insetos e os alimentos consumidos.

Com planejamento, proteção contra o sol e os mosquitos, consumo de água segura e atenção às regras de segurança da embarcação, o passeio pelos rios de Manaus pode ser aproveitado com menor risco à saúde.