Os cuidados com crianças no calor intenso devem ser reforçados em períodos de temperaturas elevadas, especialmente em cidades como Manaus, onde o calor pode permanecer forte ao longo do dia. Bebês, crianças pequenas e aquelas com doenças crônicas têm maior risco de desidratação, insolação e agravamento de problemas respiratórios.
A prevenção começa com medidas simples: oferecer líquidos com frequência, manter a criança em ambientes frescos, reduzir a exposição direta ao sol e observar mudanças no comportamento, na urina e na aparência da pele. Em caso de sinais importantes, a orientação é procurar atendimento de saúde sem esperar que o quadro piore.
Por que as crianças precisam de atenção redobrada
O organismo infantil ainda está em desenvolvimento e pode ter mais dificuldade para regular a temperatura corporal. Bebês e crianças pequenas também podem não identificar ou comunicar adequadamente que estão com sede, cansadas ou passando mal.
O risco é maior quando a criança permanece por muito tempo ao sol, pratica atividade física intensa, usa roupas quentes ou fica em locais abafados. Doenças acompanhadas de febre, vômitos ou diarreia também podem acelerar a perda de líquidos.
O Ministério da Saúde inclui crianças entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos das ondas de calor. Por isso, a rotina deve ser adaptada nos dias mais quentes.
Ofereça líquidos ao longo do dia
A hidratação não deve depender apenas da sensação de sede. Durante o calor, ofereça água em pequenas quantidades várias vezes ao dia para as crianças que já consomem esse líquido. Também podem fazer parte da alimentação frutas com alto teor de água, como melancia, laranja, melão e abacaxi, desde que sejam adequadas à idade e à rotina alimentar.
Para bebês com menos de seis meses em aleitamento materno exclusivo, não é necessário oferecer água, chás ou sucos, mesmo em dias quentes. A recomendação do Ministério da Saúde é manter o leite materno em livre demanda e aumentar a frequência das mamadas quando necessário. A orientação pode ser consultada na página oficial sobre amamentação.
Depois dos seis meses, a criança pode receber água conforme a introdução alimentar orientada pelos responsáveis e pelos profissionais de saúde. A água deve ser tratada, filtrada ou fervida, especialmente quando houver dúvida sobre a qualidade do abastecimento.
Crianças que utilizam fórmula infantil devem receber o produto preparado exatamente conforme as instruções da embalagem ou de um profissional de saúde. Não dilua a fórmula além do recomendado e não substitua a alimentação por refrigerantes, bebidas energéticas ou sucos adoçados.
Observe os sinais de desidratação
A desidratação ocorre quando a perda de líquidos é maior do que a reposição. Os primeiros sinais podem incluir sede intensa, boca e língua secas, olhos fundos, pouca urina, urina mais escura, cansaço, irritabilidade e ausência de lágrimas ao chorar.
Em bebês, é importante acompanhar a frequência das mamadas, o estado de alerta e a quantidade de fraldas molhadas. Moleira afundada, sonolência excessiva, dificuldade para mamar ou vômitos repetidos exigem avaliação médica.
Quando houver dois ou mais sinais de desidratação, a criança deve ser levada a uma unidade de saúde. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde orienta atenção para boca seca, ausência de lágrimas, redução da urina e olhos fundos.
Se houver vômitos ou diarreia, não ofereça medicamentos por conta própria. O soro de reidratação oral pode ser indicado em determinadas situações, mas a forma de uso deve seguir a orientação da unidade de saúde ou da embalagem do produto. Soro caseiro preparado de maneira incorreta pode causar riscos.
Mantenha a criança em ambiente fresco
Nos horários mais quentes, mantenha a criança em local ventilado, fresco e protegido do sol. Feche cortinas ou persianas durante os períodos de maior incidência solar e, quando o ar externo estiver mais quente, mantenha as janelas fechadas. À noite e nas primeiras horas da manhã, a ventilação pode ajudar a renovar o ar.
Ventiladores e aparelhos de ar-condicionado podem ser usados, desde que não direcionem vento muito forte diretamente para o rosto da criança e estejam limpos. O ambiente não deve ficar excessivamente frio. Também é importante evitar o acúmulo de poeira, mofo e fumaça, que podem agravar sintomas respiratórios.
Banhos com água fresca podem ajudar a aliviar o desconforto. A água não precisa estar gelada, e a criança nunca deve ser deixada sozinha na banheira, no chuveiro ou perto de recipientes com água, mesmo por pouco tempo.
Escolha roupas leves e proteja a pele
Prefira roupas largas, leves e de cores claras, de preferência confeccionadas com tecidos que permitam a circulação de ar. Evite excesso de camadas, tecidos muito apertados e materiais que aumentem a retenção de calor.
Para sair, use chapéu ou boné, sombra e roupas que cubram a pele quando houver exposição prolongada. O protetor solar deve ser adequado à idade da criança e aplicado conforme as orientações do fabricante e do pediatra. A aplicação precisa ser reaplicada quando indicado, sobretudo após banho, suor intenso ou contato com água.
Bebês devem ser protegidos da exposição direta ao sol. Crianças maiores também não devem permanecer sob radiação solar intensa por longos períodos. A recomendação geral é priorizar atividades ao ar livre no início da manhã ou no fim da tarde, evitando os horários de maior calor e radiação.
Reduza atividades físicas nos horários mais quentes
Brincadeiras ao ar livre, corridas e esportes aumentam a produção de calor e a perda de líquidos pelo suor. Em dias muito quentes, reduza a duração e a intensidade das atividades e faça pausas frequentes em local sombreado e ventilado.
Ofereça água antes, durante e depois da atividade. Não espere que a criança peça para beber. Se ela demonstrar cansaço incomum, tontura, fraqueza, dor de cabeça, náusea ou dificuldade para continuar brincando, interrompa o exercício e leve-a para um ambiente fresco.
Piscinas, praias e igarapés também exigem supervisão permanente. O calor não elimina o risco de afogamento. A criança deve permanecer ao alcance do adulto responsável, mesmo que saiba nadar ou esteja usando boias.
Cuidados com alimentação e sono
Nos dias quentes, ofereça refeições menores e mais leves, com frutas, legumes, verduras e preparações de fácil digestão. O apetite pode diminuir temporariamente, mas a criança deve continuar recebendo os alimentos habituais e líquidos adequados para sua idade.
Evite deixar alimentos perecíveis fora da geladeira por muito tempo. Calor e armazenamento inadequado favorecem a multiplicação de microrganismos e podem provocar vômitos e diarreia, aumentando o risco de desidratação.
Para dormir, mantenha o quarto arejado, use roupas leves e evite cobrir excessivamente o bebê. Não coloque travesseiros, almofadas, mantas pesadas ou objetos soltos no espaço de sono. O berço deve permanecer livre de itens que possam dificultar a respiração.
Nunca deixe a criança dentro do carro
O interior de um veículo pode aquecer rapidamente mesmo quando os vidros estão parcialmente abertos ou quando o carro está estacionado à sombra. Por isso, nunca deixe uma criança sozinha dentro do automóvel, nem por poucos minutos.
Também é importante verificar o banco traseiro antes de trancar o carro e manter as chaves fora do alcance infantil. O mesmo cuidado vale para quartos, barracas, carrinhos e outros espaços fechados que possam acumular calor.
Reconheça os sinais de insolação
A insolação é uma condição grave associada à exposição excessiva ao calor e ao sol. Os sinais podem incluir temperatura corporal elevada, pele quente, dor de cabeça, tontura, náusea, fraqueza, respiração acelerada, batimentos rápidos e confusão mental.
Em situações mais graves, a criança pode apresentar desmaio, convulsão, alteração do nível de consciência ou dificuldade para respirar. Esses sinais exigem atendimento de emergência.
Enquanto aguarda ajuda, retire a criança do sol e leve-a para um local fresco e ventilado. Remova o excesso de roupas e aplique panos úmidos com água fresca na testa, no pescoço, nas axilas e nas virilhas. Se estiver consciente e conseguindo engolir, ofereça pequenos goles de água. Não force líquidos em uma criança sonolenta, desmaiada ou com dificuldade para engolir.
Em caso de confusão mental, convulsão, desmaio, temperatura muito elevada ou piora rápida, acione o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo telefone 192. A criança também pode ser levada imediatamente a uma unidade de emergência.
Checklist para os dias de calor intenso
- Ofereça água com frequência às crianças que já consomem o líquido.
- Aumente a frequência das mamadas para bebês em aleitamento materno exclusivo.
- Mantenha a casa fresca, ventilada e protegida do sol.
- Use roupas leves, largas e de cores claras.
- Evite exposição direta ao sol e atividades físicas nos horários mais quentes.
- Use chapéu, sombra e protetor solar adequado à idade.
- Observe urina, lágrimas, boca, comportamento e disposição da criança.
- Nunca deixe crianças sozinhas em carros ou ambientes fechados.
- Procure atendimento diante de sinais de desidratação ou insolação.
Os cuidados devem ser adaptados à idade, ao estado de saúde e à orientação do pediatra. Crianças com doenças cardíacas, renais, respiratórias, neurológicas ou que usam medicamentos contínuos podem precisar de acompanhamento específico durante períodos de calor intenso.







