A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) orienta que o cuidado contra a sífilis na gestação comece ainda no início do pré-natal e continue até a conclusão do tratamento, quando houver diagnóstico. A estratégia inclui testagem, acompanhamento da gestante e atenção aos intervalos entre as doses de penicilina para reduzir o risco de transmissão da bactéria ao bebê.
A transmissão vertical, como é chamada a passagem da infecção da gestante para a criança, ocorre principalmente durante a gestação, no ambiente intrauterino, embora também possa acontecer no parto. A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e pode ser transmitida por relações sexuais sem preservativo.
Diagnóstico no início do pré-natal
O teste rápido está disponível em todas as unidades de saúde da rede municipal de Manaus. Realizado com uma gota de sangue, o exame tem resultado liberado, em média, em 30 minutos. A Semsa recomenda que pessoas com vida sexual ativa façam ao menos uma testagem anual para infecções sexualmente transmissíveis.
Para mulheres que desejam engravidar ou já estão grávidas, a orientação é procurar o serviço de saúde o mais cedo possível. Segundo Ylara Costa, técnica do Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecção Sexualmente Transmissível e Hepatites Virais da Semsa, a identificação da sífilis permite iniciar o tratamento e acompanhar a saúde da mãe e da criança.
Em declaração divulgada pela Prefeitura de Manaus, Ylara afirmou que o tratamento adequado pode evitar a transmissão da bactéria ao embrião, mas ressaltou que o resultado depende do tempo de exposição no útero. Conforme a técnica, quando o tratamento começa tardiamente, aumentam as possibilidades de consequências para o bebê.
Três momentos de testagem
O Ministério da Saúde recomenda exames no primeiro e no último trimestre da gravidez. Em março de 2026, o Comitê Municipal de Prevenção da Transmissão Vertical emitiu uma nota informativa orientando a rede municipal de Manaus a realizar também uma testagem no segundo trimestre.
De acordo com a Semsa, o exame adicional pode identificar infecções recentes que ainda não apareciam no primeiro teste, novas exposições ocorridas durante a gestação e reinfecções. A reinfecção pode ocorrer quando as parcerias sexuais não recebem tratamento adequado e a gestante volta a ter contato com a bactéria.
A necessidade de acompanhamento permanece mesmo quando feridas ou manchas desaparecem. A secretaria informa que esses sinais podem ser pontuais e que a ausência de sintomas não significa que a infecção tenha sido eliminada. Sem tratamento adequado, a bactéria pode permanecer no organismo e afetar outros órgãos.
Esquema com penicilina
Na maioria dos casos em adultos, o tratamento informado pela Semsa é composto por três doses de penicilina, aplicadas com intervalo de sete dias. Se o período entre as aplicações chega a sete ou nove dias, o esquema precisa ser reiniciado, segundo a orientação divulgada pela secretaria.
A Semsa afirma que parte dos pacientes deixa de retornar por medo da dor, preconceito ou por interpretar o desaparecimento dos sintomas como sinal de cura. A secretaria também informa que realiza busca ativa e ações de sensibilização para tentar localizar pessoas que não completaram o tratamento.
Notificações em 2026
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, citados pela Semsa, indicam média mensal de 208 notificações de sífilis em gestantes em 2026. Em 2025, a média era de 198 casos por mês, aumento informado de 5,1%.
Entre os registros de sífilis congênita, a média mensal passou de 24 casos em 2025 para 33 em 2026, crescimento de 37,5%. A Prefeitura de Manaus relaciona a campanha Outubro Verde de 2026 ao incentivo à detecção precoce e ao tratamento imediato das gestantes atendidas na rede municipal.
Fonte: Prefeitura de Manaus.
Foto distribuída pela Prefeitura de Manaus






