A Praça da Saudade em Manaus, oficialmente chamada Praça 5 de Setembro, é um dos espaços públicos mais antigos e conhecidos do Centro Histórico da capital amazonense. O local reúne referências à formação política do Amazonas, às transformações urbanas de Manaus e às lembranças de diferentes gerações que passaram pela região.
Com aproximadamente 12,6 mil metros quadrados, a praça fica entre a avenida Epaminondas e as ruas Ramos Ferreira, Ferreira Pena e Simão Bolívar. Além de ser um ponto de circulação no centro da cidade, o espaço abriga o monumento dedicado a João Baptista de Figueiredo Tenreiro Aranha, considerado o primeiro presidente da Província do Amazonas.
Para quem deseja conhecer a história de Manaus, a Praça da Saudade pode ser incluída em um roteiro pelo Centro Histórico. A visita permite observar um espaço que mudou de aparência e de função ao longo do tempo, mas continua associado à memória urbana da cidade.
Por que a praça se chama Saudade?
O nome popular está relacionado ao antigo Cemitério São José, que funcionou nas proximidades entre o século 19 e o início do século 20. A área onde hoje está o Atlético Rio Negro Clube fazia parte desse conjunto urbano, e a presença do cemitério contribuiu para a associação do local ao sentimento de saudade.
A denominação oficial atual é Praça 5 de Setembro. A data homenageia a elevação do Amazonas à categoria de província, ocorrida em 5 de setembro de 1850, quando o território foi separado da Província do Grão-Pará.
Mesmo com a mudança do nome oficial, a população continuou usando a expressão Praça da Saudade. O caso é comum em Manaus, onde muitos espaços públicos são reconhecidos tanto por sua denominação administrativa quanto por nomes populares incorporados à memória dos moradores.
Quando a Praça da Saudade foi criada?
A origem da praça remonta ao século 19. Registros apresentados pela Prefeitura de Manaus indicam que o espaço foi inaugurado em 1865, quando ainda era conhecido como Largo da Saudade.
Naquele período, a área não tinha a configuração ajardinada que os visitantes associam a uma praça tradicional. A transformação em um espaço estruturado, com jardins e passeios, ocorreu décadas depois. A primeira grande organização do logradouro foi realizada em 1932, quando também foi instalado o monumento em homenagem a Tenreiro Aranha.
Antes disso, o local passou por diferentes denominações e mudanças de uso. A sucessão de nomes e reformas revela como a praça acompanhou o crescimento de Manaus e as alterações na maneira como a cidade organizava seus espaços de convivência.
O monumento a Tenreiro Aranha
O principal marco histórico da Praça da Saudade é o monumento dedicado a João Baptista de Figueiredo Tenreiro Aranha, político que participou do processo de criação da Província do Amazonas e se tornou seu primeiro presidente.
A obra é formada por uma estátua de bronze com cerca de dois metros de altura, apoiada sobre uma base de granito. Segundo informações municipais, o monumento foi produzido na Itália e instalado originalmente, em 1907, na antiga Praça Tamandaré, hoje conhecida como Praça Adalberto Vale. Em 1932, a peça foi transferida para a Praça da Saudade.
Durante a visita, o monumento pode ser observado como uma referência à história política do Amazonas. A instalação também ajuda a compreender a importância que as praças tinham no início do século 20: além de áreas de lazer e circulação, funcionavam como locais de homenagem pública e afirmação da memória oficial.
As reformas e as diferentes fases do espaço
A aparência da Praça da Saudade mudou várias vezes. Em meados do século 20, o local ganhou jardins, alamedas e estruturas que alteraram sua relação com os moradores. Houve períodos em que a praça recebeu tanques, esculturas, chafariz e outros elementos decorativos.
Na década de 1960, foram instaladas as esculturas de bronze “O Homem Pré-Histórico” e “O Homem Moderno”, criadas pelo artista Geraldo Florêncio de Carvalho. As peças permaneceram associadas à memória da praça por muitos anos, mas foram retiradas durante uma reforma e posteriormente levadas para o jardim do Paço da Liberdade, também no Centro Histórico.
Essa mudança mostra que a praça não possui uma única camada histórica. O espaço atual resulta da sobreposição de projetos, reformas e decisões urbanas feitas em diferentes momentos. Por isso, fotografias antigas e relatos de moradores costumam apresentar uma Praça da Saudade diferente daquela vista hoje.
Entre 2008 e 2010, o espaço passou por uma revitalização que incluiu a recuperação de jardins, calçadas, bancos e monumentos. A praça foi reinaugurada em abril de 2010. Nos anos seguintes, novas ações de manutenção foram realizadas para corrigir problemas de conservação e recuperar partes da estrutura.
Conservação do patrimônio histórico
A preservação da Praça da Saudade continua sendo uma tarefa permanente. Em agosto de 2026, o espaço recebeu uma atividade prática das Oficinas de Conservação e Zeladoria do Patrimônio Cultural, promovidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Amazonas, com participação de equipes municipais.
A ação utilizou um dos monumentos da praça como área de aprendizado para técnicas de conservação. Também envolveu serviços de limpeza, iluminação, infraestrutura e acompanhamento operacional, conforme informou a Prefeitura de Manaus.
O trabalho demonstra que a preservação não depende apenas de grandes reformas. Limpeza, manutenção dos jardins, conservação dos pisos, cuidado com os monumentos e iluminação adequada são medidas necessárias para manter o espaço utilizável e proteger seus elementos históricos.
O que observar durante a visita
O passeio pode começar pelo monumento a Tenreiro Aranha, que ocupa posição de destaque na praça. Vale observar a estátua, a base de granito e a relação do conjunto com os caminhos e áreas ajardinadas.
Também é possível perceber a localização da praça em relação a outros pontos do Centro Histórico. O entorno reúne vias importantes, prédios antigos, equipamentos culturais, estabelecimentos comerciais e áreas de circulação de estudantes e trabalhadores. A visita pode ser combinada com outros locais históricos do centro, desde que o roteiro respeite o tempo disponível e as condições de deslocamento.
Quem se interessa pela história urbana pode comparar a configuração atual com fotografias antigas. A observação ajuda a identificar alterações nos jardins, nos caminhos internos, nos equipamentos e na presença de construções que já não existem no local.
Outro aspecto importante é a dimensão simbólica do espaço. A praça é conhecida por diferentes gerações de moradores, e suas lembranças incluem momentos de passagem, encontros, eventos, brincadeiras e transformações na paisagem. A história da Praça da Saudade, portanto, não está apenas nos monumentos, mas também nos usos cotidianos que o lugar recebeu.
Como planejar a visita à Praça da Saudade
A praça está em área central e pode ser incluída em um roteiro a pé pelo Centro Histórico de Manaus. Antes de sair, é recomendável verificar as condições do tempo, escolher roupas leves e levar água, especialmente nos períodos mais quentes do dia.
Como ocorre em qualquer área central de grande cidade, o visitante deve manter atenção aos pertences pessoais, preferir horários de maior movimento e evitar circular sozinho por trechos pouco movimentados. Também é importante respeitar jardins, monumentos, bancos, pisos e demais equipamentos públicos.
Não há, nas informações consultadas, um horário oficial único de funcionamento divulgado especificamente para a Praça da Saudade. Por ser um espaço público aberto, a experiência de visita pode variar conforme o período do dia, a manutenção, a realização de eventos e as condições de segurança e circulação.
Antes da visita, também é prudente conferir comunicados recentes dos órgãos municipais quando houver interesse em participar de atividades, apresentações ou ações de conservação. Eventos temporários podem alterar o acesso e a movimentação no entorno.
Importância para a história de Manaus
A Praça da Saudade representa uma das permanências mais antigas da paisagem urbana de Manaus. Seu percurso começa no século 19, passa pela criação da Província do Amazonas, acompanha o desenvolvimento do Centro Histórico e chega ao presente como um espaço que ainda demanda cuidado e uso pela população.
O nome popular, ligado à presença do antigo cemitério, preserva uma lembrança que não aparece apenas em documentos oficiais. Já o nome Praça 5 de Setembro registra um marco político decisivo para a formação do Amazonas. Os dois nomes convivem e ajudam a explicar as diferentes formas de interpretar o mesmo lugar.
Visitar a Praça da Saudade é, portanto, mais do que conhecer uma área verde no centro de Manaus. É observar um espaço onde se cruzam memória familiar, história política, arquitetura urbana, patrimônio cultural e experiências cotidianas.
Para quem procura um passeio histórico pela capital amazonense, a praça oferece uma parada acessível e significativa. O visitante pode conhecer o monumento de Tenreiro Aranha, compreender a origem do nome Saudade e perceber como as reformas transformaram a paisagem ao longo de mais de um século.
A preservação desse patrimônio depende tanto do poder público quanto do comportamento de quem utiliza o espaço. Cuidar dos monumentos, não descartar lixo, respeitar as áreas ajardinadas e valorizar a história local são atitudes simples que ajudam a manter viva a Praça da Saudade para as próximas gerações.






