Manter a saúde e o bem-estar em passeios na natureza em Manaus exige planejamento, especialmente em atividades realizadas sob calor, umidade, sol intenso e exposição a mosquitos. Trilhas, igarapés, balneários e áreas de mata podem ser aproveitados com mais segurança quando o visitante escolhe roupas adequadas, leva água, utiliza proteção contra insetos e sabe como agir diante de sinais de emergência.
Antes de sair, é importante verificar as condições do local, informar alguém sobre o roteiro e avaliar se a atividade é compatível com a idade, o condicionamento físico e as condições de saúde de cada participante. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas podem precisar de cuidados adicionais e orientação profissional.
Planeje o passeio antes de sair
O primeiro passo é conhecer o trajeto, o tempo estimado de caminhada, o nível de dificuldade e a existência de pontos de apoio. Em locais isolados, o grupo deve evitar sair sozinho e combinar um horário previsto para retorno. O telefone celular pode ser útil, mas não deve ser o único recurso, pois há áreas de mata e rios com sinal limitado.
Leve água em quantidade suficiente para o percurso, alimentos leves, protetor solar, repelente, boné ou chapéu, lanterna, documento de identificação e medicamentos de uso contínuo. Quem utiliza remédios regularmente deve mantê-los protegidos da umidade e seguir a prescrição médica, sem alterar doses por conta própria.
Calçados fechados, confortáveis e com solado adequado ajudam a reduzir o risco de quedas, torções, picadas e contato com animais. O Ministério da Saúde também recomenda roupas apropriadas, proteção para a cabeça e cuidados com a exposição solar durante passeios.
Hidratação é prioridade no calor
A combinação de calor, umidade e esforço físico pode provocar perda de líquidos mesmo quando a pessoa não percebe sede. Por isso, beba água regularmente antes, durante e depois da atividade. Não espere sentir sede intensa para se hidratar.
Evite usar bebidas alcoólicas durante o passeio. O álcool pode favorecer a desidratação e prejudicar a percepção de cansaço, tontura e outros sinais de alerta. Bebidas com cafeína também devem ser consumidas com moderação, principalmente em períodos de calor intenso.
Fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea, cãibras, sede intensa e mal-estar podem indicar que o corpo está sofrendo com o calor ou com a perda de líquidos. Ao perceber esses sinais, interrompa a caminhada, procure um local fresco e sombreado, descanse e faça a reposição de líquidos. Se os sintomas persistirem ou se agravarem, procure atendimento.
A insolação é uma condição grave. Confusão mental, desmaio, convulsão, pele muito quente, respiração acelerada e temperatura corporal elevada exigem atendimento imediato. A orientação do Ministério da Saúde é retirar a pessoa do sol, levá-la para um ambiente fresco e acionar o serviço de emergência quando necessário.
Proteja a pele do sol
Use protetor solar conforme as orientações da embalagem e reaplique de acordo com a indicação do fabricante, especialmente após suor intenso ou contato com água. Boné, chapéu, óculos escuros e roupas leves também ajudam a reduzir a exposição.
Sempre que possível, programe a caminhada para horários menos quentes e faça pausas na sombra. O esforço físico em áreas abertas, associado à exposição prolongada ao sol, aumenta o risco de queimaduras, exaustão pelo calor e insolação.
Roupas claras, leves e que permitam a ventilação ajudam no conforto. Em áreas de mata, porém, a proteção contra insetos deve ser conciliada com o uso de peças que cubram braços e pernas.
Use repelente e roupas que cubram o corpo
Repelentes com princípios ativos autorizados, como DEET, icaridina ou IR3535, podem ajudar a reduzir o contato com mosquitos quando utilizados conforme a faixa etária, a frequência e as instruções da embalagem. O produto deve ser aplicado apenas nas áreas indicadas e não deve ser usado sobre feridas ou pele irritada.
O uso de camisas de mangas compridas, calças e meias reforça a proteção. Em locais de mata, margens de rios, lagos e igarapés, também é recomendável evitar a exposição desnecessária nos períodos de maior atividade dos mosquitos, especialmente ao amanhecer e ao entardecer.
O Ministério da Saúde orienta que pessoas que frequentam áreas com possibilidade de transmissão de malária adotem medidas contra picadas. A prevenção não elimina totalmente o risco, por isso a atenção deve continuar durante e após o passeio.
Gestantes, crianças pequenas e pessoas com alergias ou doenças de pele devem verificar na embalagem se o repelente é adequado para seu perfil. Em caso de dúvida, procure orientação em uma unidade de saúde ou com profissional habilitado.
Fique atento aos sinais de malária
Na Amazônia, a malária deve ser considerada diante de febre, calafrios, dor de cabeça, suor intenso, dores no corpo, cansaço ou mal-estar após a permanência em área de risco. Os sintomas podem surgir depois do passeio, e a febre não deve ser tratada como consequência comum do calor sem avaliação.
Quem apresentar sintomas deve procurar uma unidade de saúde e informar que esteve em área de mata, rio, igarapé ou outra região com possibilidade de transmissão. O diagnóstico precoce e o tratamento correto reduzem o risco de agravamento. Informações sobre diagnóstico e atendimento estão disponíveis na página de centros para diagnóstico e tratamento da malária.
Não tome medicamentos por conta própria para tentar controlar a febre ou outros sintomas. O tratamento depende da confirmação da doença e de avaliação clínica.
Como evitar acidentes com animais
Em trilhas e áreas de mata, não coloque as mãos em buracos, frestas, tocas, troncos ou sob pedras. Caminhe atento ao solo e à vegetação, sem tentar tocar, capturar ou provocar animais. Botas, calçados fechados e, quando apropriado, perneiras podem aumentar a proteção das pernas.
Antes de vestir roupas, calçar sapatos ou usar mochilas e toalhas que ficaram no chão, verifique se não há animais escondidos. A recomendação também vale ao retornar para casa ou para a hospedagem.
Se encontrar uma serpente, aranha, escorpião ou outro animal peçonhento, afaste-se lentamente e não tente removê-lo. A presença pode ser comunicada às autoridades responsáveis pela área. O Meu SUS Digital orienta a não fazer torniquete, cortes, queimaduras, sucção ou aplicação de substâncias no local da picada.
O que fazer em caso de picada
Em caso de acidente com animal peçonhento, mantenha a pessoa calma, evite movimentos desnecessários e procure atendimento médico o mais rápido possível. Se for seguro, uma fotografia do animal pode ajudar na identificação, mas não se deve tentar capturá-lo.
Não ofereça bebidas alcoólicas, não aplique pó de café, terra, folhas ou outras substâncias e não faça amarrações no membro atingido. Também não é recomendado cortar ou espremer a região.
Quando houver alteração da consciência, dificuldade para respirar, sangramento intenso, convulsão, desmaio, afogamento, trauma grave ou suspeita de envenenamento, chame o SAMU pelo número 192. O serviço funciona 24 horas e atende situações de urgência e emergência.
Cuidados com água e alimentação
Não consuma água de rios, igarapés, lagos ou nascentes sem tratamento adequado. Mesmo que pareça limpa, ela pode conter microrganismos capazes de causar doenças. Leve água potável e alimentos acondicionados de maneira segura.
Prefira refeições leves, frutas higienizadas e lanches que não estraguem facilmente com o calor. Lave as mãos antes de comer e depois de usar banheiros ou tocar superfícies compartilhadas. Evite levar alimentos que possam permanecer por muito tempo fora de refrigeração.
Em áreas de banho, respeite as placas e as orientações dos responsáveis. Não entre na água após consumir álcool, não se arrisque em trechos desconhecidos e não deixe crianças sem supervisão direta.
Checklist para um passeio mais seguro
- Verifique o trajeto, a previsão do tempo e as regras do local.
- Avise alguém sobre o roteiro e o horário estimado de retorno.
- Leve água, alimentos leves, protetor solar e repelente.
- Use calçados fechados, roupas adequadas e proteção para a cabeça.
- Faça pausas em áreas sombreadas e hidrate-se regularmente.
- Evite tocar em animais, plantas desconhecidas, troncos e buracos.
- Não consuma água sem tratamento e não ingira bebidas alcoólicas durante a atividade.
- Procure atendimento se apresentar febre, calafrios ou mal-estar após visitar área de risco.
- Em emergências, acione o SAMU pelo 192.
Com planejamento e atenção aos sinais do corpo, os passeios na natureza podem ser aproveitados com mais conforto e segurança. Em Manaus e em outras áreas amazônicas, a prevenção deve fazer parte do roteiro tanto quanto a escolha da trilha, do balneário ou do ponto de visitação.







