sábado, 24 de outubro de 2026
MANCHETES

Artesanato regional em Manaus ganha espaço; veja como comprar e participar de feiras

O artesanato regional em Manaus vem ocupando espaço em feiras, festivais e áreas turísticas da cidade. Saiba onde encontrar peças, como valorizar os produtores locais e quais cadastros podem ajudar artesãos a participar de eventos e políticas públicas.

O artesanato regional em Manaus ganhou espaço em feiras, festivais, áreas turísticas e ações de economia criativa promovidas ou apoiadas pelo poder público. A produção reúne biojoias, cestarias, acessórios, peças decorativas, objetos utilitários, artigos indígenas e trabalhos feitos com técnicas manuais e referências da cultura amazônica.

Além de oferecer opções de compra para moradores e visitantes, as feiras funcionam como canais de divulgação e comercialização para quem depende da atividade artesanal. Em 2024, a Secretaria Municipal do Trabalho, Empreendedorismo e Inovação (Semtepi) informou que 1.691 artesãos estavam cadastrados para participar de eventos e ações de exposição na cidade. No mesmo período, a Feira de Artesanato da Ponta Negra teve 102 edições e movimentou aproximadamente R$ 2,6 milhões, segundo relatório da secretaria.

Para quem produz, o caminho envolve cadastro, participação em seleções e acompanhamento dos canais oficiais. Para quem compra, a principal orientação é priorizar peças identificadas, conhecer a origem dos materiais e valorizar o trabalho manual realizado em Manaus e no Amazonas.

Onde o artesanato regional aparece em Manaus

As oportunidades de exposição são distribuídas entre eventos fixos, feiras itinerantes e programações culturais. A Ponta Negra é um dos espaços mais conhecidos. O relatório da Semtepi referente a 2024 registra a realização de feiras no calçadão do complexo turístico, com barracas destinadas à exposição e à venda de produtos artesanais.

Outros locais e eventos também recebem empreendedores da economia criativa. Entre eles estão o Mirante Lúcia Almeida, programações relacionadas ao Polo Digital de Manaus, ações em empresas do Polo Industrial, centros de compras, secretarias municipais e praças. A participação depende de regras próprias, disponibilidade de vagas e, em alguns casos, inscrição para cada edição.

Festivais culturais também abriram espaço para a produção regional. No #SouManaus Passo a Paço 2025, a Prefeitura informou que a rua Bernardo Ramos, no Centro, recebeu 22 barracas em sistema de rodízio, com participação prevista de 198 artesãos ao longo dos dias principais do evento. A programação reuniu biojoias, acessórios, cestos e peças utilitárias e decorativas.

Como eventos têm datas e regras específicas, o visitante deve consultar a programação oficial antes de se deslocar. Feiras podem ser temporárias, mudar de local ou funcionar apenas em determinados dias e horários.

O que pode ser encontrado nas feiras

A variedade do artesanato amazônico é ampla. Entre os produtos mais comuns estão colares, pulseiras, brincos, bolsas, cestos, peças de decoração, utensílios, artigos de vestuário e lembranças para turistas. Também aparecem trabalhos com miçangas, resina, biscuit, tecidos, fibras, sementes e outros materiais usados em diferentes técnicas.

O artesanato indígena ocupa uma posição importante nesse conjunto, mas é necessário observar a origem e a identificação de cada peça. Produtos associados a povos, grafismos ou saberes tradicionais devem ser comercializados com respeito à autoria, à comunidade e ao significado cultural. O consumidor pode perguntar ao vendedor sobre a técnica, o material utilizado e a procedência do produto.

Nem todo item vendido em uma feira é necessariamente produzido integralmente pelo expositor. Por isso, informações claras sobre fabricação, acabamento e origem ajudam o comprador a fazer uma escolha consciente e contribuem para reconhecer o trabalho do artesão.

Como comprar e valorizar o produtor local

Comprar diretamente do artesão é uma das formas mais simples de fortalecer a economia criativa. A negociação permite conhecer a história da peça, entender o tempo de produção e identificar os cuidados necessários para conservar o produto.

Antes da compra, vale observar o acabamento, a resistência dos materiais e a possibilidade de transporte, especialmente no caso de peças feitas com fibras, madeira, sementes ou cerâmica. Para itens que serão levados em viagens, o consumidor deve perguntar sobre embalagem, conservação e restrições de transporte quando aplicável.

Também é recomendável solicitar informações sobre formas de pagamento, encomendas e canais de contato. Muitos artesãos trabalham sob demanda e podem produzir variações de cores, tamanhos ou modelos. O prazo e o preço, porém, precisam ser combinados diretamente com o vendedor.

Outra forma de apoio é divulgar o trabalho nas redes sociais, marcar o perfil do artesão quando autorizado e recomendar feiras oficiais. O reconhecimento do produtor ajuda a ampliar a clientela sem substituir a remuneração adequada pela peça.

Como o artesão pode buscar oportunidades em Manaus

Artesãos que moram em Manaus podem acompanhar as ações da Semtepi e os editais ou chamadas divulgados pela Prefeitura. O cadastro municipal é utilizado para mapear produtores e formar grupos que podem ser convidados ou selecionados para feiras, exposições, cursos e atividades de economia criativa.

Documento de serviços da Prefeitura descreve o cadastro de artesãos como uma ferramenta voltada à participação em eventos e feiras promovidos pela Semtepi. Entre os requisitos indicados estão trabalhar com produtos artesanais e residir em Manaus. O procedimento pode ser atualizado, por isso o interessado deve conferir as instruções vigentes no site oficial da Semtepi.

Em março de 2026, a Prefeitura também anunciou um cadastro para empreendedores da economia solidária e criativa. A iniciativa contemplava empreendedores individuais, coletivos e grupos de artesanato, entre outros segmentos. O anúncio tinha como objetivo ampliar a participação em ações, programas, feiras e capacitações do município.

O cadastro, entretanto, não garante automaticamente uma vaga em todas as feiras. Em ações com procura maior que o número de espaços disponíveis, podem ser adotados critérios definidos no regulamento, como inscrição específica, rodízio, seleção ou sorteio. O artesão deve ler as regras de cada chamada e manter os dados atualizados.

Carteira Nacional do Artesão: quem pode solicitar

Além do cadastro municipal, o profissional pode solicitar a Carteira Nacional do Artesão por meio do Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (SICAB). O serviço é destinado a pessoas físicas que exercem atividade predominantemente manual e produzem peças que expressem identidades culturais brasileiras.

De acordo com o Portal Gov.br, é necessário ter pelo menos 16 anos e domicílio na unidade da Federação em que o registro for solicitado. O processo envolve o preenchimento de dados, o envio da documentação indicada, a análise do pré-cadastro e uma avaliação de habilidade técnica pela Coordenação Estadual de Artesanato.

As orientações oficiais também mencionam documentos de identificação, CPF, comprovante de residência, inscrição no PIS/Pasep e fotografia, além da apresentação de peças e da realização de uma produção durante o teste de habilidade. A exigência pode variar conforme a situação do solicitante e as instruções do sistema.

O pré-cadastro pode ser feito pelo Portal do Artesanato Brasileiro com conta Gov.br. A aprovação não é automática: o pedido passa por moderação e avaliação. Depois da aprovação, o registro no SICAB e a carteira são emitidos conforme as regras vigentes do programa.

A carteira pode facilitar o acesso a políticas públicas, cursos, oficinas, feiras e oportunidades de comercialização. Ela não substitui inscrições específicas exigidas por organizadores de eventos nem garante participação imediata em uma feira.

Cuidados com materiais e referências culturais

O crescimento do artesanato regional aumenta a importância de práticas responsáveis. Quem produz deve informar, sempre que possível, os materiais utilizados e evitar a comercialização de produtos cuja origem não possa ser comprovada. O consumidor pode perguntar se sementes, fibras, madeiras ou outros insumos foram obtidos de forma regular e responsável.

Também é importante diferenciar uma peça artesanal autoral de produtos industrializados que apenas reproduzem símbolos amazônicos. A descrição correta ajuda o público a reconhecer o valor do trabalho manual e reduz o risco de atribuir a um artesão uma autoria que não é dele.

No caso de referências indígenas ou de comunidades tradicionais, a comercialização deve respeitar os direitos culturais e a identificação dos criadores. Grafismos, histórias e técnicas não devem ser apresentados como simples decoração sem contexto quando estiverem vinculados a povos ou tradições específicas.

Como acompanhar novas feiras e inscrições

As datas de feiras e oportunidades de cadastro podem mudar ao longo do ano. Artesãos e consumidores devem acompanhar os canais oficiais da Semtepi, da Prefeitura de Manaus, da Manauscult e do Portal do Artesanato Brasileiro.

Para o profissional, é recomendável manter documentos, fotografias das peças, descrição das técnicas e dados de contato organizados. Também vale acompanhar chamadas específicas, pois algumas exigem inscrição individual para cada evento. Para o público, consultar a programação antes da visita ajuda a confirmar local, horário e regras de acesso.

O avanço do artesanato regional em Manaus está ligado à combinação entre cultura, turismo, geração de renda e economia criativa. Ao participar das feiras, o consumidor encontra produtos com identidade amazônica e contribui diretamente para que técnicas manuais continuem presentes na cidade.